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O DIEESE divulgou o Balanço das Negociações Coletivas do 1º semestre de 2011. A respeito do mesmo, fez as seguintes observações gerais e destaques.
Foram analisados os resultados das negociações por reajuste salarial de 353 unidades de negociação dos setores da indústria, comércio e serviços de todo o território nacional. Para a análise, foram comparados estes resultados com os obtidos pelas mesmas unidades de negociação em 2008, 2009 e 2010.
Principais pontos do balanço:
O resultado é positivo, embora não tanto quanto o observado em 2010. Houve uma ligeira redução no percentual das negociações com reajustes superiores e iguais ao INPC-IBGE e um ligeiro aumento no percentual dos que ficaram abaixo do índice.
Por outro lado, o resultado é melhor que o apurado em 2008 e 2009 pelas mesmas unidades de negociação Há de se considerar que o percentual das negociações com aumentos reais superiores a 3% manteve-se em patamar significativo, próximo ao realizado em 2010 pelas mesmas unidades de negociação.
Setores:
O comércio é o que apresenta o melhor quadro, com nenhum reajuste abaixo do INPC-IBGE e aumentos reais em quase 98% das negociações.
O pior desempenho fica para as negociações do setor de serviços, que registraram um percentual de quase 13% de negociações com reajustes abaixo da inflação. Isso talvez tenha sido influência do aumento real zero no salário mínimo este ano.
Na indústria, observou-se um percentual de 87% dos reajustes acima da inflação e 10% para os iguais, com perdas salariais para 3%.
Atividades Econômicas:
Indústria – Aumento no número de negociações com aumento real entre os trabalhadores têxteis e da alimentação, e redução entre os trabalhadores gráficos, químicos e do vestuário (mais sensíveis ao câmbio).Na construção e mobiliário e indústria extrativa, 100% conseguiram aumento real.
Comércio – sem destaque aparente
Serviços – há uma redução no número de negociações com aumento real nos salários dos agentes autônomos no comércio e empregados em comunicações, difusão cultural, segurança e vigilância e turismo e hospitalidade. Houve aumento entre as negociações dos transportes e na educação e saúde privadas.
Regiões Geográficas:
O Centro-Oeste foi a que apresentou o maior percentual negociações com reajustes acima da inflação (97% de 33 negociações) e a região norte, o menor percentual (69% de 26 negociações).
A região sul foi a que apresentou o menor percentual de negociações com perdas reais nos reajustes (2% de 85 negociações). Talvez por efeito do salário mínimo regional vigente nos três estados que compõem a região.
Algumas razões para o resultado no primeiro semestre de 2011:
Houve, em certa medida, a manutenção do quadro econômico de 2010 (crescimento, taxa de desemprego etc).
Expectativas favoráveis do ano anterior influenciaram bons resultados do semestre. A inflação mais alta pode ter influído na redução dos percentuais.
A ausência de aumento real no salário mínimo também pode ter influído em algumas categorias, em especial no setor de serviços (o que teve o desempenho menos satisfatório entre os setores analisados)
Projeções para o Futuro:
No segundo semestre negociam as categorias de maior peso (metalúrgicos, petroleiros, bancários)
Não se sabe como a economia mundial se comportará. Incógnita. Porém, o mercado interno não dá sinais de forte desaceleração. Indicações de tendência a manutenção de mercado interno aquecido, associada a baixas taxas de desemprego e queda da inflação indicam espaço para conquistas dos trabalhadores.
Não esquecer o aumento do salário mínimo previsto em 2012, que impulsionará o mercado interno. |